Notícias — 03 abril 2013

Manaus -  Relações com familiares e vizinhança são apontadas como alguns dos motivos que despertam nos adolescentes amazonenses o desejo de trocar de moradia. A conclusão é de uma pesquisa realizada pelo curso de Psicologia da Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

 

O estudo, desenvolvido pela universitária Dayse da Silva Albuquerque, será apresentado no 8º Congresso Norte – Nordeste de Psicologia (Conpsi), em Fortaleza, no Ceará. O trabalho foi contemplado pelo Programa de  Apoio à Pesquisa em Eventos Científicos e Tecnológicos (Pape), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (FAPEAM).

O foco da pesquisa foi a percepção das dimensões física e emocional de adolescentes a respeito de suas moradias. De acordo a pesquisadora, é importante identificar os possíveis significados atribuídos pelos adolescentes aos seus locais de moradia para enfatizar a ocorrência ou não de diferenças significativas na distinção de espaços da cidade.

“Temos de pôr em prática a discussão sobre o conceito de formação da identidade social e lembrar novos olhares sobre as relações sociais estabelecidas no ambiente urbano”, ressaltou a pesquisadora.

Nesse sentido, o estudo apontou as razões pelas quais os adolescentes pensam em mudar de suas moradias. “Com a pesquisa finalizada, notou–se que os principais motivos que despertam o desejo de mudar do local de moradia atual estão relacionados ao sentimento de insegurança, ao problema de acessibilidade aos serviços básicos e às dificuldades nas relações com familiares e vizinhança”, explicou Albuquerque.

A pesquisa

Ao todo, 161 adolescentes participaram do estudo. A pesquisa focou em estudantes, com idade entre 12 e 18,  de cinco escolas da rede pública estadual de ensino de Manaus. Em uma folha em branco, os participantes desenharam, a lápis, o local onde moram. Além dos desenhos, os estudantes escreveram sobre os mesmos: “Olhe atentamente para o seu desenho e escreva o que ele significa para você”; “O que ele representa?”; e “Cite três coisas que poderiam te levar a pensar em mudar do lugar onde você mora”.

Realizada de 2011 a 2012, a pesquisa foi orientada pela doutora em Antropologia Social do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Maria Inês Gasparetto Higuchi.

O levantamento contou com aporte financeiro do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) por meio do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (Pibic).

Técnica

Albuquerque aplicou a técnica do mapa efetivo durante o levantamento das informações. O recurso deriva do método de mapas cognitivos e é referente a imagens ou representações assentadas em sinais emotivos ou expressivos, elaborados a partir de recursos imagéticos.

A técnica foi baseada no processo utilizado pela pós-doutora do grupo de Investigação Pessoa-Ambiente em Psicologia Social da Universidade de Coruña, na Espanha, Zulmira Áurea Cruz Bomfim.  Em seu doutorado, Bomfim verificou os afetos presentes nas relações de moradores das cidades de Barcelona, na Espanha, e São Paulo, no Brasil, utilizando desenhos.

De acordo com Bomfim, por meio do desenho eram deflagrados os sentimentos e emoções atrelados ao local de moradia. O significado dos desenhos era descrito pelo participante da pesquisa e por meio da descrição a pesquisadora identificava os sentimentos referente aquele local.

Entre os resultados obtidos estão: sentimentos de agradabilidade, segurança e pertencimento ao local de moradia, além de sentimentos opostos como violência urbana e o acesso precário a serviços básicos necessários para o bem-estar da pessoa.

Clique aqui e saiba mais sobre a pesquisadora Dayse Albuquerque.

Fonte: Agência Fapeam

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