Dossiê RP — 31 janeiro 2013

Manaus - No dia 27 de março de 2012 um dos fundadores do curso de Relações Públicas da Universidade Federal do Amazonas, o advogado, professor, especialista em Administração Pública Randolpho de Souza Bittencourt, concedeu aos profissionais de Relações Públicas Danilo Egle Santos Barbosa, Inara Regina Batista da Costa e Jonas da Silva Gomes Júnior a seguinte entrevista

1.      Como foi o surgimento do curso de Relações públicas na UFAM?

RSB: Permitam-me um preâmbulo para falar sobre os antecedentes que condicionaram o interesse da Universidade pelo curso. O primeiro curso de Relações Públicas oferecido aqui em Manaus foi dado em função de um convênio entre o Governo do Estado do Amazonas e o Instituto Brasileiro de Administração de Empresas, trata-se de um instituto que existia naquela época, em São Paulo. O objetivo era preparar pessoas para esse trabalho, pois o governo pretendia na reforma administrativa criar um sistema de Relações Públicas para o governo, em todas as secretarias e autarquias do Estado. Com a ideia de criar esse conjunto sistêmico de assessorias é que foi celebrado o referido convênio para que fosse dado o primeiro curso aqui. A partir dele, surgiu à primeira ideia do curso de Relações Públicas no governo do Estado. É interessante notar que naquele tempo havia um cuidado pelo governo militar da utilização de RP. Eles sabiam que deveriam tentar algum trabalho perante a opinião pública brasileira já que era um governo ditatorial. Havia o interesse de instrumentalizar o Governo Federal e partir, então, para o Governo do Estado dessa atividade de Relações públicas. É claro que com uma intencionalidade voltada para a ideologia que eles tinham no sentido de comunicação com a opinião pública, a coletividade, etc. Isso começou a vir para Manaus, como também deve ter havido em outros Estados. Eu peço permissão para fazer um parêntese. Ainda hoje há certo descaso com essa posição acadêmica no Amazonas, sobretudo em Manaus, mas nós temos pontos focais que desmentem isso. Por exemplo, ainda no governo militar essa questão de Relações públicas, começou praticamente aqui em Manaus dentro da região Norte. Por outro lado, quando a Constituição Federal de 1988 criou o artigo nº39 determinando que o Distrito Federal e outros Estados tivessem escolas de formação de gestores públicos, aqui na cidade, desde 1965 nós já tínhamos a ESPEA que foi extinta quando se criou a UEA. Então, percebe-se que tais fatos caem no esquecimento, pois, não há uma memória histórica devidamente trabalhada. Na grade curricular do curso de Administração nós inserimos a matéria Relações públicas. Nessa época eu lecionei duas disciplinas que era “Teoria e técnica de RP” e a outra “Teoria da Opinião Pública”. Naquele tempo, em termos de panorama nacional, a maior ênfase de Relações Públicas acontecia nos cursos de Administração, acreditava-se que as Relações públicas deveriam fazer parte da formação do administrador pelo fato de que o administrador irá utilizá-la em empresas e repartições. Eu preparei um trabalho que foi apresentado no congresso interamericano onde eu esboçava essa ideia da inserção de RP no curso de Administração. Posteriormente, ele vai para a área de Comunicação. Assim, aparece essa questão de Relações públicas, Jornalismo, Publicidade e Propaganda, etc. A meu ver, esse foi o preâmbulo histórico de toda a ideia que se teve de Relações públicas aqui no Estado.

2.      Como ocorreu essa passagem de uma disciplina de Administração para o curso de Comunicação? Da unidade FES para a unidade ICHL?

RSB:  Foi criado o curso de Comunicação Social como bacharelado dentro do Ministério da Educação no Governo Federal. Tratava-se de um curso geral, ambivalente, posteriormente, o ministro da educação enviou para todas as Universidades para que o curso fosse reorganizado em duas vertentes. O reitor criou uma vertente para fazer essa bifurcação do curso de Comunicação social que era amplo, a equipe foi constituída por pessoas de apoio e de dois professores da UFAM. Fui designado pelo reitor na parte de Relações públicas e o prof. Walmir Albuquerque Barbosa ficou responsável pela organização do curso de Jornalismo. Juntamente com o Walmir, eu fiz uma pesquisa de opinião a respeito da possibilidade da criação desses cursos. Nela ficou condicionada a ideia da possibilidade de se criar o bacharelado de Relações Públicas separadamente do bacharelado de Jornalismo. Nessa altura, acontecia a vinculação de RP no curso de Administração, até por que o curso de Comunicação acontecia no sentido ambivalente pertencendo ao ICHL, ao passo que Relações públicas se encontrava vinculado a FES, a antiga Faculdade de Ciências Econômicas. Com isso as Relações Públicas ficaram restritas apenas a uma matéria do curso de Administração. Atualmente, eu creio que a referida disciplina já tenha sido extinta da estrutura curricular. Sendo assim, tudo foi transferido para o ICHL e nesse momento foram criadas duas formações de bacharelado (duas habilitações) dentro do curso de Comunicação Social.

3.      Qual foi a maior dificuldade encontrada?

RSB: A maior dificuldade que nós tivemos foi à de impor a necessidade e a condição acadêmica de um curso de bacharel em Relações públicas. Pois existia toda a idiossincrasia de que é um moço de recados ou uma espécie de secretário particular, etc. No curso de Administração, eu era originário de lá, eu tinha mais força como professor antigo e fundador do curso etc. No curso de Administração eu tinha condições para mostrar que Relações Públicas é importantíssimo, inclusive para o governo socialista, e  também tem a sua importância em termos institucionais na sociedade civil para instituições como os partidos políticos, por exemplo. Sempre defendi isso! Ao passo que no curso de Comunicação encontrei dificuldades, pois os alunos eram de classe média alta da cidade de Manaus e não possuíam uma noção correta da coisa. Mas, graças a Deus, essas duas disciplinas me capacitaram a defender a aplicação de Relações Públicas. Foi uma fase difícil. Uma fase em que prevaleceu o conceito pessoal que se tinha do que o conceito que se lecionava. Eu acho que até hoje vocês devem ter certa dificuldade, primeiro com a questão do sistema capitalista, pois, interessa muito mais propaganda e marketing. Sempre houve uma tentativa do marketing “engolir” Relações públicas. Não houve nenhuma resistência do ponto de vista da estrutura superior da Universidade.

4.      E os primeiros docentes do curso de Relações Públicas?

RSB: Tínhamos o padre Argentinho Sesco quem lecionou a disciplina Ética aplicada, Jorge Karam da área de Pedagogia, Rui Alencar também foi docente. Professores de jornalismo também ministravam aulas em Relações Públicas, claro que na parte que lhes competiam, não havia essa separação acadêmica. Naquele tempo existia um ciclo básico que depois bifurcava nas habilitações de Relações públicas e de Jornalismo, de forma que havia essa condição de muitos professores darem aulas nos dois cursos.

5.      Quanto tempo você trabalhou no Departamento de Comunicação?

RSB: Eu não fazia parte do Decom, era emprestado. Eu fazia parte do Departamento de Administração (FES), e era requisitado para ministrar algumas disciplinas, pois havia trabalhado na época da implementação do curso. Mentalmente eu não tenho precisão de datas, porém, posso dizer que foi quando o Decom começou a ter os seus próprios professores através de concursos públicos. Em muitas seleções eu participei como membro da banca. Então houve a substituição natural, ou seja, eu não precisava mais dar aulas, pois já havia professores com competência para ministrá-las. Nessa época era tudo transitório, a Universidade estava se formando.

6.      Quais foram os desafios enfrentados para a implementação da habilitação de Relações públicas?

RSB: Em relação aos desafios, que eram muitos, se pensava que Relações públicas serviam para oferecer cafezinho, abrir portas dos carros oficiais, etc. Então, foram barreiras que nós tivemos que trabalhar. Na Universidade também houve uma situação de desafio e de dificuldades, porque no Brasil desde a antiga República, as coisas são feitas de cima para baixo, esse é o nosso problema de formação de opinião pública, etc. No caso do Ministério da Educação e da formação bifurcada do curso de Comunicação Social aconteceu a mesma coisa. Assessorado por sua equipe, o ministro da educação decide não manter aquela amplitude do curso de comunicação e define especializações profissionais dentro do mesmo curso. Isso que foi feito na UFAM também gerou problemas, através de uma determinação do ministro e de uma portaria do reitor da época. Por uma configuração básica a profissão de Jornalismo é muito mais antiga do que a profissão de Relações públicas, sendo assim, havia condições internas de um ser mais proeminente que outro. Uma conjectura era de que Relações Públicas deveria ficar no curso de Administração, porém, isso já estava disciplinado através de decisão ministerial e do Conselho Federal de Educação. Houve uma luta por parte dos professores, pois se tratava da época áurea da Universidade do Amazonas (UA), pois não existia a questão de professor ser 40h ou regime de dedicação exclusiva. Naquele tempo em que eu ministrava duas disciplinas no curso de Relações públicas, eu também assessorava o reitor para a área de docentes e discentes, dava aulas de Teoria da Administração e Planejamento Governamental no curso de Administração e Direito Administrativo no curso de Direito.

7.      Vamos conversar um pouco sobre a criação da ABRP no Amazonas. Como tudo começou?

RSB: A Associação Amazonense de Relações Públicas promoveu cursos de capacitação em RP. O primeiro presidente foi Antônio Braga Teixeira que havia feito o curso na Fundação Getúlio Vargas, eu era o vice-presidente e também fiz o curso na EBAP – Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas. Nesse ínterim, cria-se a Associação Brasileira de Relações Públicas (ABRP). Houve todo o esforço de um grupo que já havia se formado aqui em Manaus que solicitou a transformação da Associação Amazonense de Relações Públicas em uma seccional da Associação Brasileira de Relações Públicas. Tenho todas as atas do Congresso que ocorreu em Maceió quando foi aprovada a transformação da Associação Amazonense em secção regional da ABRP.

8.      Na ocasião foi elaborado um Estatuto da Associação Amazonense de Relações públicas?

RSB: Sim. Aqui se encontra a primeira expressão dessa mobilização em termos de relações públicas de pessoas amazonenses. No Amazonas, a maior presença era de pessoas que fizeram o curso na Fundação Getúlio Vargas, que naquele momento era o grande embrião da transformação brasileira desde a época de Vargas. Este por exemplo é de 1967, trata-se do estatuto da Associação Amazonense de Relações públicas que disciplinava como deveria ser o trabalho de relações públicas.

Também consta um congresso realizado pelo diretório nacional da Associação Brasileira de Relações públicas, onde eu fui representando o nosso Estado, que foi a 14º Conferência Interamericana de Relações Públicas. Aqui está a Separata dos Anais, no ano de 1979, em São Paulo, eu apresentei esse trabalho cujo tema é “Análise crítica do ensino de relações públicas” onde eu relato, no primeiro item, sobre “Comunicação e Relações públicas: perspectivas de evolução curricular na experiência brasileira a nível superior”. Nesse trabalho eu faço uma análise crítica sobre o ensino de relações públicas daquela época.

9.      E como foi o trabalho em relação à estrutura curricular da nova habilitação do curso de Comunicação Social?

RSB: Gostaria de apresentar outro documento, ao qual eu consolidei da seguinte maneira, “Reestruturação curricular do curso de comunicação social da FUA”. Apresento um preâmbulo para que vocês tenham idéia: “Este trabalho foi elaborado em virtude da portaria nº306/75 do magnífico reitor da Universidade do Amazonas, tendo em vista a solicitação emanada do Conselho Federal de Educação através do seu conselheiro, professor Benedito de Paula Bittencourt”.  A equipe técnica estava constituída por mim e pelo professor Walmir de Albuquerque Barbosa. Aqui nós temos a introdução do curso, a comunicação no mundo, análise e retrospectiva, formação profissional e habilitações especificas na formação profissional. Também é falado sobre temas referentes ao curso de comunicação social da Universidade do Amazonas, além do seu respectivo mercado de trabalho, currículo para o curso, etc. Nós dividimos o currículo em estudo comparado e inclusão de novas habilitações. Nos anexos apresentamos todas as resoluções anteriores da UA, desde a resolução nº2/69 de 03 de fevereiro de 1969, ano em que o curso se encontrava em sistema ambivalente. A referida resolução cria o curso de Jornalismo junto à Faculdade de Filosofia, Ciências Humanas e Letras e estabelece outras providências. Em seguida nós temos a resolução nº6 de 1969 que  novamente estabelece a criação do curso de Jornalismo na FUA. Apresento a grade curricular que complementa a resolução anterior, para que vocês tenham uma ideia, por exemplo, na primeira série, naquela época era seriado, a grade continha as matérias de História das civilizações, Língua portuguesa, História da língua portuguesa, Literatura portuguesa, História e Geografia do Brasil e História da imprensa. Em seguida,  temos a cópia autêntica do conselho departamental da Faculdade de Filosofia, Ciências Humanas e Letras, onde é tratada a parte da criação do curso. Usando da palavra o conselheiro Afonso Celso Maranhão Lira, levantou preliminares sobre o currículo dos cursos de Educação Física e Jornalismo, aos quais considerou obsoletos, pois , ambos necessitam de uma reformulação geral nos termos dos pareceres 804.631 de 1969 da separata 33, respectivamente nas páginas 120 e 99, o mesmo ainda cita: “ Quanto ao curso de jornalismo o professor Afonso Celso Maranhão Lira, deu o parecer para que fosse criado o curso de Jornalismo básico polivalente, voltando a opinar o professor Raimundo Abdon Said que o referido curso tomasse a denominação moderna de curso de Comunicação Social, usando o seu parecer que foi aprovado. Dessa forma o Lira fez o pronunciamento e o professor Raimundo Said fez o seu parecer de modo a transformar o nome de Jornalismo para Comunicação Social. A resolução nº15 de 1972 reforma o currículo do curso de Comunicação Social e afirma: “O curso de Comunicação social da Faculdade de Filosofia, Ciências humanas e Letras nos períodos a serem ministrados no ano letivo de 1972, será regulado no que couber pela resolução nº2 do Conselho Universitário. Em seguida: “Fica estabelecida a seguinte periodização para o ano letivo de 72”. Quer dizer que a reformulação serviu para retirar de curso seriado para curso de periodização, pois, tratava-se de uma exigência do Conselho Federal em razão da ditadura militar. Resolução nº39 em 74: “ Fixa o currículo pleno do curso de graduação em comunicação social” e o documento foi assinado pelo então reitor Aderson Pereira Dutra. No tópico “Aspectos do mercado de trabalho local e da sua capacidade de absorção dos bacharéis de comunicação social formados pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade do Amazonas”. Este trabalho foi realizado no decorrer do primeiro semestre de 1973 pelos alunos do sétimo período do curso de comunicação na cadeira “Mercadologia e Pesquisa de Opinião pública”, orientado pelo professor Eduardo Augusto Gomes Assunção. Esta pesquisa é destinada as seguintes pessoas: corpo docente, diretoria da faculdade, reitoria e empresas. A pesquisa descrita era de aplicação interna.  A segunda pesquisa aconteceu na época da criação da habilitação Relações Públicas sobre opção profissional na área de Comunicação social. Este trabalho foi realizado no mês de junho de 1975, sob a coordenação dos professores Walmir Albuquerque Barbosa e Randolpho de Souza Bittencourt com a participação da Maria Helena Mutini e Maria Luísa Bessa Ribeiro. A justificativa foi descrita da seguinte forma: “Conforme a Resolução 11/69 do Conselho Federal de Educação, os cursos de Comunicação Social podem oferecer quatro tipos de habilitação: a) polivalente, com sérias restrições, pois forma profissionais para as diversas áreas de comunicação social. b) específicas compreendendo Jornalismo, Relações públicas, Publicidade e propaganda e Editoração”. Em principio o curso de formação da FUA fornecia uma formação polivalente, porém, com a modificação dos estatutos da Universidade, foi conservada a denominação do curso de Comunicação social,mas oferecendo, apenas, habilitação em Jornalismo. Como a coordenação do curso pretende propor um novo currículo, conforme o estabelecido na portaria 306/75 da reitoria da Universidade, que designou comissão específica para tal assunto, pretendeu-se através da presente pesquisa verificar as tendências profissionais dos acadêmicos de comunicação social, com vista a apresentação de outras especializações profissionais além do Jornalismo. Aqui se encontra também a resolução da Universidade Católica de Minas Gerais nº 16/63 que serviu de base, pois na grade curricular deles continha Jornalismo e Relações públicas.

10.  Antes de a UFAM oferecer o curso de bacharelado em Comunicação Social – habilitação Relações Públicas, o Governo do Amazonas já praticava algumas atividades dessa área. Como foi esse processo? Quais foram os principais marcos das Relações Públicas Governamentais?

RSB: Em março de 1961, o curso de Relações públicas foi realizado pelo Instituto Brasileiro de Administração de Empresas em convênio com o Governo do Estado do Amazonas. Em seguida, já no âmbito da reforma administrativa, é criada a lei nº61 de 30/12/1961 que estruturou o Departamento de Estradas e Rodagem do Estado do Amazonas (DER-AM) quando foi criada a primeira assessoria de Relações Públicas e estava ligada diretamente ao gabinete do diretor geral. Atualmente, essa autarquia encontra-se extinta. Logo após, houve o Decreto nº15 que aprovou as bases da reorganização estrutural do DER-AM. No regimento interno havia as atividades e atribuições da Assessoria de Relações Públicas. Esse decreto regulamentou o trabalho de Relações Públicas no Estado do Amazonas. Em seguida, veio a lei nº 389 de 1996, portanto, passado o regime militar que concedeu uma nova administração ao Departamento de Estradas e Rodagem, se recria a assessoria de RP no DER-AM, o que comprova a existência de uma segunda etapa. A primeira reforma administrativa do Governo do Estado do Amazonas se deu com a Lei nº223 de 16/06/1965. Nessa reforma aprova-se o regimento interno do gabinete do governador e ali se insere a Assessoria de Relações Públicas do Governo do Estado. O decreto nº237, ainda na época da reforma administrativa, aprovou o regimento interno do Departamento de Administração e Serviço Público do Estado do Amazonas – DASPA que era um similar do DASPE criado pelo governo federal ainda na era Vargas. Então, no DASPA foi inserida uma Assessoria de Relações Públicas para que se pudessem controlar os trabalhos de relações públicas de todos os órgãos públicos do Governo do Estado.

Na primeira turma de RP, quando ainda fazia parte da Faculdade de Ciências Econômicas, eu coordenei, junto aos alunos, um projeto de assessoria de Relações Públicas para o governo do Estado. Ainda tenho posse desse exemplar. Posteriormente, com o curso no ICHL, nós fizemos o projeto de uma coordenação geral nos moldes do governo ditatorial, uma coordenação geral do curso de RP e Comunicação para o governo do Estado. Eu ainda possuo esse documento, que se encontra encadernado.

11.  Podemos dizer, então, que o movimento das Relações Públicas no Amazonas foi iniciado nos órgãos governamentais?

RSB: Sim. Era uma diretriz muito clara (politicamente falando) do Governo Federal que se encontrava na fase de ditador. Agora você me pergunta por que o DER-AM foi o primeiro, eu respondo que o convênio do  Governo do Estado com o Instituto  Brasileiro de Administração de Empresas – IBAE de São Paulo foi realizado com o recurso do DER-AM. Enfim, o trabalho obteve bons resultados, pois possibilitou o impulso na área de relações públicas, apesar de não ter sido criado através de uma base societária, como aconteceu no tempo da Associação de Relações Públicas.

12.  Para encerrar, gostaríamos de saber qual a sua opinião quanto às perspectivas das Relações Públicas no Amazonas.

RSB: As experiências anteriores devem ter frutificado de alguma forma. Como observador externo, posso falar que nas vezes em que fui convidado à participar das Mesas Redondas de Relações Públicas da Universidade – a última vez foi em 2009 –  observei que as pessoas não tinham uma contribuição local para o trabalho de Relações Públicas. Notava que eles estavam um tanto indecisos, muitos conversavam comigo sobre essa indecisão que tinham. O trabalho de vocês é pioneiro e desafiador, pois é necessário mostrar a importância das Relações Públicas no sentido de trabalhar com os diversos públicos que compõem não só as organizações como também a própria sociedade civil e a parte institucional do serviço público. Eu também diria sobre a importância política desse trabalho. Ano passado quando ministrei aulas de Comunicação e Marketing em uma faculdade local, a matéria estava voltada para as igrejas e a classe era composta por alunos que seriam futuros pastores. A comunicação que eu repassava era Relações públicas, os alunos ficavam assombrados quando eu citava a dicotomia da segmentação do trabalho com o público. Como professor, eu afirmava que eles deveriam aprender a necessidade de segmentação do público. Em minha opinião vocês têm um grande desafio, o primeiro deles seria o de institucionalizar esse público. O público de Jornalismo já está sedimentado por ser um curso mais antigo. O curso de Relações públicas deve ganhar espaço dentro da Universidade, o primeiro passo seria trabalhar as bases, ou seja, o alunado.

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Sobre o Autor

Danilo Egle